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ESCÂNDALOS

Em nova reunião com PT, Sarney admite renunciar e descarta licença


Na busca para se manter na presidência do Senado, José Sarney (PMDB-AP) recebeu duas vezes a bancada do PT nesta quarta-feira. Pela manhã, ouviu um pedido para se licenciar por 30 dias, prontamente recusado. Durante o dia, Lula reforçou que era preciso defender Sarney e que a possível saída do presidente do Senado causaria grande estrago político ao governo. E confirmou para esta quinta reuniões separadas com Sarney e com a bancada do PT.



À noite, já havia um recuo dos petistas, e os que pediam o afastamento eram minoria. Dez dos 12 senadores petistas estiveram na casa de Sarney, com a ausência de Tião Viana (AC) e Flávio Arns (PR). Sarney mais ouviu do que falou, mas deixou claro que não aceita pagar pelos erros dos últimos 14 anos de administração do Senado e reiterou que não aceita se licenciar:



- Licença, não. Ou eu fico, ou eu saio. Eu que assumi agora vou pagar pelos últimos 14 anos? - reagiu Sarney, de acordo com senadores do PT.



Na conversa, Eduardo Suplicy (SP) e Marina Silva (AC) voltaram a pedir o afastamento temporário. Sarney respondeu que essa não era a solução. Afirmou que tem compromisso com o governo Lula e que essa era uma crise política. E deu a última cartada. Blog do Noblat , Sarney aguardava apenas a chegada do presidente Lula ao Brasil, para renunciar ao cargo.



- Se sou um obstáculo, eu renuncio. Mas, antes, vou conversar com o presidente Lula - disse Sarney, segundo o relato dos petistas.



Se isso ocorrer, será necessário uma nova eleição para a presidência da Casa.



À noite, a líder do governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), recebeu telefonema de Lula, que estava na Base Aérea de Recife, numa escala técnica, no retorno da Líbia.



Lula diz que PSDB quer ganhar presidência do Senado no "tapetão"

Ainda na África, Lula demonstrou preocupação com a possível ascensão do tucano Marconi Perillo (GO), 1º vice-presidente, ao comando do Senado. Lula disse que o PSDB quer ganhar a presidência "no tapetão".



- O DEM e o PSDB querem que o Sarney se afaste para o Marconi Perillo assumir, o que não é nenhuma vantagem para ninguém - afirmou Lula, ainda em Sirte, na Líbia.



- A única vantagem é para o Marconi Perillo e para o PSDB, ou seja, que quer ganhar o Senado no tapetão. Assim não é possível, ou seja, isso não faz parte do jogo democrático - completou.



Antes do encontro da noite, com Sarney, Ideli avisava que na terça-feira havia mais senadores pedindo o afastamento:



Hoje (quarta), esse número já é bem menor - disse.



Na saída, ela frisou que o DEM também teria cota de responsabilidade na crise, por controlar há anos a 1ª secretaria, a "prefeitura" da Casa:



- A crise do Senado não é só dele (Sarney). Simplesmente mudar pessoas pode significar nada.



Segundo Marina, ela repetiu o que tinha defendido na reunião da bancada.



- O melhor caminho para processar a crise é o afastamento temporário do presidente. Foi uma conversa respeitosa. Isso não é personificar a crise, ela é estrutural. Mas a instituição é maior do que cada um individualmente - afirmou a senadora.



Suplicy frisou que a responsabilidade pela crise instalada na Casa é dos 81 senadores, mas argumentou que a licença temporária seria uma sinalização importante de isenção do presidente do Senado nas investigações das denúncias contra ele e seus familiares.



- Nós explicamos que a licença temporária significaria uma demonstração de isenção, para que houvesse apuração eficiente e rápida das questões relativas a ele próprio. Mas é claro que ele não é o único responsável. Teremos que cobrar dos 81 senadores - disse Suplicy.



Se Sarney aceitasse se licenciar, o PT queria que durante esse período funcionasse na Casa uma comissão que formularia uma proposta de reestruturação completa do Senado. Mas, como Sarney recusou a sugestão, o partido decidiu não formalizar a proposta, encaminhada a Sarney por Mercadante e Ideli, durante a reunião da manhã, que contou ainda com a participação do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), e da governadora do Maranhão, Roseana Sarney.



Ao sair da casa do pai, Roseana disse que Sarney está sendo um bode expiatório na crise e sugeriu que ele pode sair do cargo, se isso for o melhor para o Senado e para o país.



- Acho que ele vai tomar a decisão correta, vai fazer o que achar que é o melhor para o Brasil - afirmou.



Depois que o DEM, que apoiara a eleição de Sarney em fevereiro, pediu sua licença do cargo, a bancada do PT passou a ser a principal fiadora da permanência dele no comando da Casa.



Nos últimos dias, o Palácio do Planalto fez uma grande pressão para que a bancada petista apoiasse Sarney para evitar uma crise de governabilidade. Na noite de terça-feira, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, visitou Sarney e transmitiu o apelo do presidente Lula para que o senador não tomasse qualquer decisão antes de seu retorno ao Brasil.



DEM, PSDB e PDT pedem afastamento de Sarney

Na terça-feira, DEM, PSDB e PDT pediram formalmente a licença de Sarney da presidência. Ao mesmo tempo, o PSOL levou à Mesa Diretora representação pela abertura de processo no Conselho de Ética - que ainda não foi instalado - contra o senador por quebra de decoro, por causa de seu envolvimento com os escândalos recentes.



A situação se agravou com a denúncia, na semana passada, de que o neto do presidente do Senado operava com crédito consignado na Casa.



Para se contrapor à pressão pelo afastamento de Sarney, a bancada do PMDB divulgou uma nota - assinada por 17 de seus 19 representantes - reiterando apoio ao presidente do Senado e aos demais integrantes da Mesa Diretora.



Na tentativa de aplacar a crise política, a direção da Casa iniciou uma limpeza em cargos administrativos estratégicos. O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI) anunciou na segunda-feira a exoneração de três diretores e um chefe de gabinete carimbados como funcionários da era Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado e pivô dos escândalos dos atos secretos, que pediu licença de 90 dias , na semana passada, para preparar sua defesa.


Fonte: O Globo



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