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Após recorde, venda de veículos deve se estabilizar
Junho foi o melhor mês da história para o comércio de carros. Com a prorrogação do IPI reduzido, concessionárias esperam menos “pressa” dos consumidores
O discurso “terrorista” do governo deu resultado. As ameaças de que o desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não seria prorrogado provocaram uma corrida às concessionárias, que tiveram em junho o melhor desempenho mensal da história. Em todo o país, foram vendidos 290 mil automóveis e utilitários, com alta de 22,1% sobre maio e de 19,3% frente a junho de 2008. No Paraná, as lojas venderam 22 mil unidades, com avanço de 22,2% e 10,2%, respectivamente. Apenas na segunda quinzena de junho, marcada por inúmeros feirões e campanhas publicitárias, os paranaenses compraram 12,2 mil carros – 25% a mais que na primeira metade do mês. Os dados foram divulgados ontem pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
Passado o medo de que o benefício fiscal não fosse renovado, o mês de julho deve ser de acomodação – afinal, o mercado ganhou mais três meses de IPI reduzido. “O consumidor não terá mais tanta pressa”, disse ontem o presidente da Fenabrave, Sergio Reze, em entrevista coletiva. O diretor comercial do grupo de concessionárias Corujão, Antônio Carlos Altheim, estima que as vendas caiam de 15% a 20% neste mês. “É um recuo natural e esperado, depois do ‘boom’ de junho. Em agosto e, principalmente, setembro, deve haver uma retomada, porque a partir de outubro o imposto será elevado gradualmente.”
Para o diretor da rede CCV, Eros Nicanor Nicz, fabricantes e revendedoras terão de “usar muita criatividade” para manter a demanda em alta. “Acredito que o mês de julho será bom para o consumidor. Para manter o mercado aquecido, as fábricas já sinalizam novidades, como descontos, por exemplo.”
Outro desafio será atender à demanda por modelos que sumiram dos estoques. O gerente da Ford Slaviero, Rogério Lechinski, conta que faltam carros populares, como o Ka. “Mas veículos mais sofisticados, como o Focus, também estão em falta.” Na concessionária Globo Renault, de São José dos Pinhais, a espera maior é pelos modelos mais vendidos, o Logan e o Sandero, conta o gerente Mee Qim. Nas concessionárias da marca Citroën, o C4 Hatch tem fila de espera. Os modelos Classic, Vectra, Astra e Celta rarearam nas revendedoras da Chevrolet.
O resultado recorde de junho aliviou a retração das vendas no acumulado do ano. Até maio, as concessionárias do estado tinham vendido 7% menos que em igual período de 2008; em junho, a diferença caiu para pouco menos de 4%. Ou seja, no Paraná o primeiro semestre não chegou a ser o melhor da história, diferentemente do que ocorreu na média nacional.
Em todo o país, o mercado de automóveis e utilitários cresceu 4,1% em relação à primeira metade de 2008. Com uma diferença relevante: neste ano são os consumidores finais, e não frotistas e locadoras, que estão dando impulso ao mercado. “Antes da crise, 66% das vendas de carros eram para pessoas jurídicas. Agora, nossos dados mostram que 58% das vendas são para pessoas físicas”, disse Sérgio Reze, da Fenabrave.
Caminho inverso
Se a redução do IPI teve reflexos evidentes no mercado de carros de passeio e utilitários, pouco fez pelos segmentos de caminhões e motocicletas – no Paraná, ambos recuaram cerca de 19% no primeiro semestre. “Ninguém compra um caminhão ou uma moto por entusiasmo. O comprador precisa ter a confiança de que a economia vai crescer e o trabalho dele também”, explicou Reze. “Felizmente, há perspectivas de uma certa recuperação. Medidas estruturais anunciadas pelo governo, como a queda dos juros para investimentos, devem ter forte repercussão sobre a economia a partir de novembro.”
Fonte: Gazeta do Povo
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