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ESCÂNDALOS

Diante da ameaça do PMDB de abandonar governo e Dilma, Lula cobra solidariedade de senadores petistas


Diante da ameaça do PMDB de romper com o governo e abandonar a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão presidencial, caso o Planalto não garanta a permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência da Casa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu em um jantar com senadores do PT na noite de quinta-feira, no Palácio da Alvorada, para cobrar solidariedade a Sarney.



O encontro, que durou quatro horas, terminou no início desta madrugada. O presidente falou sobre a necessidade da governabilidade, já que um racha traria dificuldades para o governo nas votações do Congresso e também colocaria em risco uma possível aliança entre PT e PMDB nas eleições presidenciais de 2010.



Segundo o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), o presidente ouviu os argumentos de cada um dos senadores petistas e a maioria da bancada defendeu o afastamento temporário de Sarney. O líder do partido, o senador Aloizio Mercadante (SP), disse que se reunirá com a bancada nesta manhã. Os senadores confirmaram que Lula terá um encontro nesta sexta com o presidente do Senado.



Outras preocupações de Lula com a eventual saída de Sarney do comando do Senado são o risco de instalação imediata da temida CPI da Petrobras, que poderá dar dores de cabeça sérias ao Planalto, e a governabilidade em seu último ano e meio de mandato.



Diante desse quadro de dificuldade do governo, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), apostava na quinta que o PT encontraria uma solução interna e apoiaria Sarney.



Para Renan, a crise levou o PT a se aproximar do PMDB. Ele deu sinais da importância do partido para o governo, e citou como exemplo o esforço do PMDB para barrar a CPI da Petrobras, num recado aos petistas. Para o líder peemedebista, o jogo político foi zerado depois do movimento de Sarney dos últimos dias. Sarney ameaçou renunciar e assustou as cúpulas do governo e do PT.



- O Sarney colocou a bola no chão, e o jogo voltou para o campo da política. O apoio do PT está evoluindo. A resistência em apoiar Sarney é muito pequena. E Lula tem ajudado muito. Chegou a dar cinco declarações em apoio a Sarney. Essa crise aproximou o PT do PMDB. Agora, é o PT que vai decidir o que vai acontecer. Temos que aguardar a decisão do PT - alertou Renan, para lembrar que o PMDB tem dado apoio ao governo. - A posição do PMDB é contra a CPI da Petrobras. Por isso, não indicou o nome para relatoria. Como criar uma CPI contra aqueles que apoiamos?



Jobim chegou a defender que PMDB colocasse cargos à disposição



Com a primeira vacilada do PT em sustentar Sarney, na terça-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, chegou a propor que todos os representantes do PMDB no governo colocassem seus cargos à disposição. Proposta que atende ao desejo de parte do PMDB, que está em busca de um discurso para desembarcar do governo Lula e aderir à candidatura tucana, seja com o governador José Serra (SP) ou Aécio Neves (MG). A ideia não foi levada adiante.



À tarde, da tribuna do Senado, Aloizio Mercadante voltou a defender o afastamento temporário de Sarney, dizendo que essa proposta seria apresentada no encontro com Lula.



No discurso, o líder petista tentou se equilibrar entre a defesa do afastamento temporário de Sarney e a manutenção da aliança do governo com o PMDB.



- Não estamos pedindo a renúncia de Sarney, mas apenas um afastamento temporário - disse o senador petista, sendo apoiado por vários de seus colegas de bancada presentes no plenário.



- Consideramos que a melhor solução seria uma licença temporária para distensionar a Casa, permitir que uma comissão (para investigar as irregularidades) se instale para que a gente possa assegurar um clima político para ele, para a história dele, da importância histórica que tem na vida democrática do país. Vamos conversar com o presidente Lula e levaremos com transparência esse convencimento - disse Mercadante antes do encontro com o presidente.



Para a bancada do PT, a licença de Sarney permitirá uma ampla reforma administrativa encaminhada de forma suprapartidária, mas Mercadante salienta que a proposta terá que ser aceita pelo presidente Lula e pelo PMDB.



- Não há governabilidade sem aliança com o PMDB - disse Mercadante.



Durante o discurso e os apartes, petistas cobraram responsabilidades do DEM com o presidente Sarney, já que o partido foi um dos fiadores da eleição do peemedebista em fevereiro. O líder do DEM, José Agripino (RN), rebateu, reafirmando o discurso do partido de que o DEM não tem responsabilidades com erros.



Num aparte ao discurso de Mercadante, o 1º secretário Heráclito Fortes (DEM-PI), fez uma forte defesa da permanência de Sarney no cargo. Heráclito disse que é disciplinado e que acata a decisão da maioria de seu partido, que defendeu o afastamento temporário de Sarney, mas alertou:



- Esse é um grande erro. Afastamento do presidente Sarney não acaba com a crise. Pelo contrário, vai gerar outra crise em seguida. Essa crise pertence aos 81 senadores.



Perdendo apoio político a cada dia, o presidente do Senado admitiu na quarta-feira renunciar ao comando da Casa, mas o presidente Lula mobilizou ministros e pressionou fortemente os senadores do PT para garantir a permanência do aliado. A bancada do PT chegou a pedir o afastamento por 30 dias, mas não oficializou a proposta, e, à noite, depois de telefonemas de Lula, já recuava.



Cordão de isolamento no gabinete

Nesta quinta-feira, a presidência do Senado mandou proteger a entrada do gabinete de Sarney. Com uma fita de isolamento dos dois lados e seguranças na saída da escada que também dá acesso ao gabinete, jornalistas foram barrados e impedidos de fazer perguntas ao senador.



DEM, PSDB e PDT pedem afastamento de Sarney

A situação do presidente do Senado se agravou com a denúncia, na semana passada, de que um neto de Sarney operava com crédito consignado na Casa.



Para se contrapor à pressão pelo afastamento de Sarney, a bancada do PMDB divulgou uma nota - assinada por 17 de seus 19 representantes - reiterando apoio ao presidente do Senado e aos demais integrantes da Mesa Diretora. DEM, PSDB e PDT já pediram formalmente a licença de Sarney da presidência.


Fonte: O Globo



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