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Novas drogas são esperança no tratamento do câncer

Terapias alvo e quimioterápicos de via oral têm menos efeitos colaterais e permitem que paciente mantenha suas atividades normais


Antigamente quando se falava em quimioterapia, vinha logo à cabeça a imagem de um paciente bastante debilitado, muitas vezes acamado e judiado pelos efeitos colaterais. O estigma se tornou tão grande que se chegava a falar que a terapia maltratava mais o paciente do que a própria doença. Hoje, o surgimento de novas drogas, aliado ao avanço no conhecimento sobre o câncer e sobre os efeitos do próprio tratamento, permitem que, em muitos casos, o paciente mantenha a qualidade de vida e continue com suas atividades normais.



Nas últimas décadas surgiram novos quimioterápicos, menos tóxicos, mas foi o desenvolvimento das chamadas terapias alvo que representou uma grande melhora na sobrevida e na diminuição dos efeitos colaterais. A principal diferença entre esses medicamentos e a quimioterapia convencional é a capacidade das drogas de alvo molecular de inibir processos que ocorrem na célula tumoral de forma distinta de uma célula normal. De forma geral, essas drogas são divididas em dois grupos: as que atuam ligando-se a receptores na superfície das células e as que se ligam a receptores no interior da célula. As primeiras geralmente são aplicadas de forma endovenosa; já as demais costumam ser de administração oral.



Para o chefe da Oncologia Clínica do Instituto Nacional do Câncer, Daniel Herchenhorn, os tratamentos que inibem as vias celulares são a grande promessa na luta contra o câncer. “Temos hoje cerca de 300 moléculas desse tipo sendo pesquisadas”, comenta. Já há medicamentos desse tipo no mercado, mas o custo é bastante alto e os médicos ainda precisam aprender sobre as potencialidades dessas drogas. “São drogas que atuam de forma muito específica, ainda não dominamos totalmente seu funcionamento. Precisamos estudar mais para saber qual o perfil do paciente que terá mais benefício com aquele tratamento”, diz Herchenhorn.



Assinatura genética



Cada vez mais os médicos defendem que cada paciente deve ser tratado de forma individualizada. Isso porque um esquema de tratamento pode ser bastante eficaz em um caso e não ter a mesma resposta em outro paciente. O tipo de câncer, a localização do tumor, o grau de evolução da doença e o estado de saúde do paciente são fatores que influenciam na tomada de decisão sobre a melhor forma de tratamento. “Tudo depende da assinatura genética e molecular do tumor”, resume a médica oncologista clínica Rosane Johnson, do Hospital Erasto Gaertner.



Apesar dos avanços nas terapias moleculares, a quimioterapia clássica não foi abandonada. A maioria dos pacientes ainda passa por ela, mas, nos casos em que há drogas disponíveis, as drogas alvo são usadas de forma associada. Apenas em alguns casos, como no tratamento do câncer de rim, que costuma responder muito mal à quimioterapia, o tratamento é feito somente com terapia molecular.



O surgimento de agentes quimioterápicos de administração oral e com menos toxicidade também é um avanço. “Hoje conhecemos melhor também os efeitos do tratamento e temos formas de intervir para minimizar os efeitos colaterais”, explica o médico João Carlos Simões, professor da disciplina de Oncologia da Faculdade Evangélica do Paraná. Dependendo do caso, a quimioterapia é indicada em diferentes etapas do tratamento. Em casos de tumores muito grandes, ela é feita antes da cirurgia, para ajudar a diminuir o tamanho da área retirada. Se feita depois da cirurgia, a quimioterapia previne a ocorrência de metástase (quando o câncer se espalha, afetando outros órgãos).



Para Herchenhorn, a melhora nas técnicas de diagnóstico e o fato de as pessoas estarem mais atentas são fatores que contribuem para o sucesso do tratamento. “Percebemos nos últimos anos uma migração no perfil dos pacientes. Antes eram pacientes que chegavam em estado terminal e hoje temos muitos com diagnóstico precoce. Isso se reflete na chance de cura, o paciente têm melhores condições de suportar o tratamento, que por sua vez não precisa ser tão agressivo”, comenta.


Fonte: Gazeta do Povo



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